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Congresso SAE BRASIL 2026 coloca descarbonização no centro do debate sobre mobilidade e agroindústria

Evento será realizado nos dias 7 e 8 de outubro, em São Paulo, com uma trilha dedicada a biocombustíveis, eletrificação, combustíveis alternativos, economia circular e infraestrutura para a transição energética.

Como descarbonizar transportes e produção agrícola sem comprometer competitividade, produtividade e segurança energética? Essa será uma das discussões centrais do Congresso SAE BRASIL 2026, que reunirá engenharia, indústria automotiva, agronegócio e energia para analisar caminhos que vão muito além da eletrificação. Biocombustíveis, combustíveis alternativos, agricultura de precisão, economia circular e infraestrutura estarão entre os temas de oito palestras dedicadas à transição energética brasileira.

A 33ª edição do Congresso e Mostra Internacionais de Mobilidade SAE BRASIL será realizada nos dias 7 e 8 de outubro, no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP), com quatro trilhas de conteúdo distribuídas por sete palcos simultâneos.

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Uma delas será a Trilha de Descarbonização, composta por oito palestras voltadas à discussão dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e das alternativas tecnológicas capazes de reduzir as emissões relacionadas à mobilidade e à produção agrícola.

A programação está inserida no tema central do congresso deste ano: “Agroindústria e Mobilidade: Conectando Energia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável”.

A escolha evidencia uma característica importante da discussão brasileira sobre descarbonização. Diferentemente de mercados nos quais a transição energética está fortemente concentrada na eletrificação, o Brasil dispõe de diferentes alternativas energéticas, especialmente pela presença consolidada dos biocombustíveis e pela integração potencial entre produção agrícola, geração de energia e transportes.

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Descarbonização vai além do automóvel elétrico

A programação reunirá especialistas, executivos e representantes de diferentes setores para discutir caminhos tecnológicos destinados à redução das emissões.

Entre os assuntos previstos estão biocombustíveis, combustíveis alternativos, eletrificação, economia circular, infraestrutura energética e logística, além da integração entre agroindústria e mobilidade.

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Essa diversidade é particularmente relevante porque diferentes aplicações exigem soluções distintas.

Um automóvel utilizado predominantemente em ambiente urbano apresenta necessidades energéticas diferentes das encontradas em um caminhão rodoviário, uma colheitadeira, um trator agrícola ou uma máquina que trabalha durante longos períodos distante de uma infraestrutura de abastecimento ou recarga.

A descarbonização, portanto, não depende necessariamente de uma única tecnologia. O desafio está em encontrar soluções que consigam combinar redução de emissões, disponibilidade energética, custo operacional e produtividade para cada aplicação.

Agricultura de precisão abre programação

A primeira palestra da Trilha de Descarbonização acontecerá em 7 de outubro, às 10h30, dentro do painel de Inovação.

Com o tema “Tecnologia de precisão e combustíveis alternativos: os caminhos para uma agricultura mais eficiente e sustentável”, o encontro discutirá como novas tecnologias e fontes de energia podem aumentar a eficiência da produção agrícola.

Participarão Daniel Dufner, Vice President, Large Tractor and Crop Production Product Engineering and Validation; Mario De Amicis, Vice-Presidente de Engenharia de Tratores Médios e Especiais; e Rafael Miotto, Presidente da CNH para a América Latina e do Congresso SAE BRASIL 2026.

A agricultura de precisão representa uma das frentes de transformação do setor porque permite utilizar dados, posicionamento, sensores, automação e gerenciamento eletrônico para executar determinadas operações de maneira mais controlada.

Quando corretamente aplicadas, essas tecnologias podem reduzir sobreposições durante operações no campo e otimizar a utilização de máquinas e insumos, contribuindo também para diminuir consumo de combustível e horas desnecessárias de funcionamento dos equipamentos.

Do combustível à infraestrutura

Os debates ao longo dos dois dias também abordarão a transformação digital e energética das propriedades rurais e as aplicações de economia circular na mobilidade.

Outro ponto importante será a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento do agronegócio.

A descarbonização do transporte não depende apenas do veículo. Combustíveis de menor intensidade de carbono precisam ser produzidos, distribuídos e disponibilizados aos usuários. Veículos eletrificados, por sua vez, dependem de geração e distribuição de eletricidade e, dependendo da aplicação, infraestrutura de recarga adequada.

Quando a discussão avança para o transporte pesado e as grandes distâncias brasileiras, entram também fatores como corredores logísticos, disponibilidade energética e previsibilidade operacional.

Por isso, infraestrutura e tecnologia do veículo precisam avançar conjuntamente.

CEOs discutem agroindústria, energia e mobilidade

A integração entre os diferentes setores também estará no tradicional Painel de CEOs.

Estão previstas as participações de Gastón Diaz Perez, CEO da Robert Bosch; Christopher Podgorski, Presidente e CEO da Scania Latin America; Ciro Possobom, CEO e Presidente da Volkswagen do Brasil; Ricardo Faria, fundador da Global Eggs; e Rafael Miotto, Presidente da CNH para a América Latina e do Congresso SAE BRASIL 2026.

A composição do painel aproxima fabricantes de veículos, fornecedores de tecnologia e representantes ligados ao agronegócio, setores que terão papel direto na definição dos caminhos da transição energética brasileira.

Para Claudio Castro, Presidente da SAE BRASIL, a descarbonização já deixou de ser apenas uma discussão sobre o futuro.

“A descarbonização deixou de ser uma agenda para o futuro e passou a ser uma necessidade do presente. É por meio da engenharia, da inovação e da integração entre diferentes setores que conseguiremos transformar os desafios climáticos em oportunidades de desenvolvimento”, afirma.

Segundo Castro, a Trilha de Descarbonização busca conectar conhecimento, tecnologia e negócios, aproveitando características brasileiras para o desenvolvimento de soluções eficientes e sustentáveis.

As inscrições para o Congresso SAE BRASIL 2026 estão abertas no site oficial da entidade.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O ponto mais interessante da Trilha de Descarbonização está justamente na amplitude das tecnologias colocadas em discussão. Quando falamos em redução das emissões dos transportes, é comum transformar o debate em uma disputa entre motor a combustão e veículo elétrico. Tecnicamente, o problema é muito mais complexo.

O que precisa ser reduzido é o impacto ambiental associado à energia utilizada para movimentar pessoas, cargas e máquinas. Isso exige analisar não somente o que acontece dentro do motor ou da bateria, mas também como essa energia foi produzida, distribuída e utilizada.

O Brasil possui uma condição peculiar nesse debate. Etanol e biodiesel já fazem parte da matriz de transportes, enquanto outras alternativas podem avançar conforme disponibilidade, aplicação e viabilidade econômica. Ao mesmo tempo, a eletrificação ganha espaço principalmente nos automóveis e veículos comerciais leves, além de aplicações específicas em outros segmentos.

No agronegócio, a equação é ainda mais complexa. Um trator ou uma colheitadeira precisa entregar elevado esforço durante muitas horas e, frequentemente, trabalha distante de uma infraestrutura energética convencional. Autonomia, tempo de abastecimento, densidade energética e disponibilidade da máquina tornam-se fatores tão importantes quanto as emissões.

É por isso que combustíveis alternativos e agricultura de precisão aparecem juntos na programação. Reduzir carbono não significa apenas trocar a fonte energética. Também significa utilizar menos energia para realizar a mesma quantidade de trabalho.

Uma máquina capaz de evitar sobreposição de passadas, otimizar rotas ou ajustar sua operação conforme as condições do terreno pode diminuir consumo independentemente do combustível utilizado.

O mesmo raciocínio vale para caminhões. Melhorias aerodinâmicas, gerenciamento eletrônico, pneus de baixa resistência ao rolamento, otimização logística e sistemas de propulsão mais eficientes podem trabalhar juntamente com biocombustíveis, eletrificação ou outras fontes energéticas.

A engenharia brasileira tem, portanto, um desafio particularmente interessante: não escolher simplesmente uma tecnologia vencedora, mas determinar qual combinação oferece maior redução efetiva de carbono para cada aplicação.

Esse talvez seja o debate mais importante da transição energética brasileira. O objetivo final não deveria ser defender determinada tecnologia, mas encontrar soluções capazes de entregar menores emissões sem perder produtividade, competitividade e segurança energética.

Para acompanhar lançamentos, avaliações, tecnologia e análises do setor automotivo, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 7 e 8 de outubro – Datas da 33ª edição do Congresso e Mostra Internacionais de Mobilidade SAE BRASIL.
  • Sete palcos – Estrutura simultânea prevista para receber a programação do congresso.
  • Oito palestras – Quantidade de encontros previstos especificamente na Trilha de Descarbonização.
  • Biocombustíveis – Uma das alternativas que coloca o Brasil em posição diferenciada na discussão sobre redução das emissões dos transportes.
  • Infraestrutura – Elemento essencial para que novas tecnologias energéticas possam avançar além de projetos experimentais.
  • Agroindústria e mobilidade – Integração que orienta o tema central da edição 2026.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Descarbonização – Processo de redução das emissões de carbono associadas a uma atividade, produto ou cadeia energética.
  • Agricultura de precisão – Utilização de sensores, posicionamento, dados, automação e controle eletrônico para executar operações agrícolas com maior precisão e eficiência.
  • Biocombustível – Combustível produzido a partir de matéria-prima renovável, como ocorre com o etanol e o biodiesel.
  • Economia circular – Modelo que busca prolongar o aproveitamento de materiais e componentes por meio de reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem.
  • Transição energética – Mudança gradual das fontes e formas de utilização da energia em direção a sistemas de menor impacto ambiental.
  • Eficiência energética – Capacidade de realizar determinada quantidade de trabalho utilizando menos energia.
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