A MotoGP de 2027 não terá apenas motos menores e uma nova regulamentação técnica. Os pneus também entram nessa transformação. No Red Bull Ring, a Pirelli colocou 18 pilotos para testar diferentes compostos em protótipos de 850 cc e motos atuais adaptadas, buscando definir aderência, estabilidade e comportamento dos pneus que serão utilizados na próxima geração da categoria.
A Pirelli concluiu no Red Bull Ring, na Áustria, mais uma etapa do desenvolvimento dos pneus destinados ao Campeonato Mundial de Motovelocidade da FIM 2027, temporada em que assumirá a função de fornecedora exclusiva também na categoria principal.
O teste ganha relevância porque acontece durante a preparação para uma mudança técnica importante. Algumas equipes utilizaram protótipos com motores de 850 cc, enquanto outras trabalharam com motocicletas de 1000 cc da geração atual adaptadas para simular características da configuração de 2027.
Ao todo, participaram 18 pilotos de corrida e testes, representando Honda, Yamaha, Ducati, Aprilia e KTM.
Honda, Yamaha, Ducati, Aprilia e KTM participaram
Pela Honda participaram Johann Zarco, Diogo Moreira e Takaaki Nakagami. A Yamaha trabalhou com Toprak Razgatlıoğlu, Jack Miller, Izan Guevara e Augusto Fernández.
A Ducati teve Marc Márquez, Franco Morbidelli e Fermín Aldeguer, enquanto a Aprilia participou com Marco Bezzecchi, Raúl Fernández e Lorenzo Savadori.
A KTM completou o grupo com Pedro Acosta, Brad Binder, Pol Espargaró, Maverick Viñales e Senna Agius.
A presença de pilotos com experiências e estilos diferentes faz parte do processo de desenvolvimento. Para a Pirelli, inclusive os estreantes contribuíram ao oferecer abordagens de pilotagem e percepções diferentes sobre o comportamento dos pneus.
Três compostos na dianteira e na traseira
Durante a sessão, a Pirelli disponibilizou pneus slick nos compostos macio, médio e duro, tanto para a roda dianteira quanto para a traseira.
As equipes tiveram liberdade para estabelecer seus próprios programas de avaliação. A recomendação da fabricante foi iniciar progressivamente com as soluções mais macias e depois avançar para os demais compostos.
As condições climáticas permaneceram estáveis e ensolaradas. A temperatura do asfalto variou entre 19 °C e 38 °C, permitindo avaliar o comportamento das soluções em uma faixa considerável de temperatura ao longo da sessão.
Segundo a Pirelli, o retorno dos pilotos foi positivo de maneira geral, principalmente nos aspectos relacionados a aderência e estabilidade. Os dados serão utilizados para continuar refinando as características da gama destinada à temporada de 2027.
Pneu precisa acompanhar uma moto diferente
O desenvolvimento não envolve simplesmente criar um novo composto para as motocicletas atuais. A presença simultânea de protótipos de 850 cc e motos de 1000 cc modificadas evidencia que fabricantes e fornecedor de pneus trabalham durante uma fase de transição.
O pneu de competição precisa responder às forças geradas durante frenagem, aceleração e inclinação, além de manter comportamento previsível conforme temperatura, pressão e desgaste variam durante uma corrida.
Qualquer alteração nas características das motocicletas pode modificar essas solicitações. Por isso, os engenheiros da Pirelli trabalharam diretamente com equipes, fabricantes e pilotos para cruzar dados objetivos da motocicleta com as sensações relatadas pelos competidores.
Essa combinação é especialmente importante na dianteira, onde confiança durante frenagens e entrada das curvas interfere diretamente na capacidade do piloto de explorar o limite disponível.
Na traseira, aderência durante aceleração, estabilidade e comportamento ao longo da utilização precisam acompanhar a entrega de desempenho da motocicleta.
Pirelli amplia presença da Moto2 e Moto3 para a categoria principal
A chegada à principal categoria amplia um trabalho que a Pirelli já realiza como fornecedora exclusiva da Moto2 e da Moto3.
O programa para 2027 combina testes coletivos como o realizado na Áustria e sessões privadas de desenvolvimento realizadas em colaboração com os fabricantes.
Segundo Giorgio Barbier, diretor de Competições de Motociclismo da Pirelli, essa sequência deverá culminar nos primeiros testes oficiais de 2027, previstos para Valência no início de dezembro, reunindo os pilotos que disputarão a temporada seguinte.
Até lá, os dados coletados serão utilizados para definir com maior precisão os pneus que formarão a gama destinada à competição.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Pneus são componentes decisivos em qualquer motocicleta, mas em uma categoria como a MotoGP eles fazem parte diretamente do desenvolvimento dinâmico do conjunto. Não adianta olhar apenas para potência, eletrônica ou aerodinâmica quando toda a força gerada precisa chegar ao asfalto através de duas áreas de contato extremamente pequenas.
O detalhe mais interessante deste teste é justamente a presença de motos 850 cc ao lado das atuais 1000 cc adaptadas. Isso mostra que a Pirelli precisa desenvolver seu produto enquanto as próprias motocicletas que utilizarão esses pneus também estão em evolução.
Outro ponto importante é testar macio, médio e duro nos dois eixos. Um composto não pode ser avaliado simplesmente pela quantidade máxima de aderência disponível. Ele precisa oferecer comportamento previsível, trabalhar dentro da faixa térmica pretendida e manter características compatíveis com diferentes condições de pista e estratégias de corrida.
Existe ainda a adaptação dos pilotos. Trocar o fornecedor de pneus pode alterar referências de frenagem, entrada de curva, inclinação e aceleração, exigindo que equipes e competidores entendam progressivamente como explorar o novo conjunto.
Por isso, os testes realizados antes de 2027 são muito mais que uma comparação de tempos de volta. O trabalho envolve construir uma base técnica capaz de atender cinco fabricantes, diferentes estilos de pilotagem e uma geração completamente nova de motocicletas.
Para acompanhar a evolução técnica da MotoGP 2027, das novas motos de 850 cc aos pneus que determinarão como toda essa performance chegará ao asfalto, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 18 pilotos – Honda, Yamaha, Ducati, Aprilia e KTM participaram da sessão de desenvolvimento realizada no Red Bull Ring.
- 850 e 1000 cc – O teste combinou protótipos preparados para a futura configuração com motocicletas da geração atual adaptadas para simular características de 2027.
- Três compostos – A Pirelli disponibilizou pneus slick macios, médios e duros tanto para a dianteira quanto para a traseira.
- 19 °C a 38 °C – Foi a variação informada da temperatura da pista durante a sessão realizada na Áustria.
- Aderência e estabilidade – Foram dois dos aspectos destacados pela Pirelli após o feedback recebido dos pilotos.
- Próxima etapa – O programa deverá avançar até os primeiros testes oficiais de 2027, previstos para Valência no início de dezembro.
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- Pneu slick – Pneu de competição sem sulcos na banda de rodagem, desenvolvido para maximizar a área de contato e a aderência em pista seca.
- Composto – Formulação da borracha do pneu. Soluções macias, médias e duras apresentam características diferentes de aderência, temperatura de funcionamento e durabilidade.
- Temperatura de trabalho – Faixa térmica na qual o pneu consegue entregar o comportamento previsto. Temperatura insuficiente ou excessiva pode alterar significativamente a aderência.
- Feedback do piloto – Avaliação subjetiva utilizada em conjunto com telemetria e outros dados técnicos para entender aspectos como confiança, estabilidade, aderência e comportamento do pneu.

