Na Fórmula 1, a disputa por desempenho não acontece apenas na pista. Computadores de alto desempenho analisam milhares de informações para ajudar engenheiros a desenvolver os carros, interpretar o comportamento dos pneus e definir estratégias durante as corridas. Com o Grande Prêmio de São Paulo, realizado de 6 a 8 de novembro, a McLaren coloca em evidência sua parceria com a Intel, anunciada em maio de 2026. O acordo utiliza processadores, computação avançada e inteligência artificial para conectar o centro tecnológico da equipe, na Inglaterra, às operações nos circuitos.
A colaboração plurianual transformou a Intel em Parceira Oficial de Computação da McLaren Mastercard Formula 1 Team, além de incluir a Arrow McLaren, da IndyCar, e a equipe McLaren F1 Sim Racing.
O objetivo é ampliar a capacidade de processamento de dados em áreas que influenciam diretamente o desempenho, como aerodinâmica, dinâmica veicular, desenvolvimento de componentes e estratégia de corrida.
Computadores ajudam a desenvolver a aerodinâmica
Uma das principais aplicações dos processadores Intel Xeon e Core Ultra está nas simulações utilizadas pela engenharia da McLaren.
Por meio da dinâmica de fluidos computacional (CFD), é possível estudar virtualmente o comportamento do ar ao redor da carroceria, das asas e de outros componentes aerodinâmicos.
Essas simulações ajudam a identificar oportunidades para melhorar a eficiência do carro antes da fabricação e dos testes físicos das peças.
Na Fórmula 1, pequenas alterações aerodinâmicas podem modificar significativamente a força descendente, a resistência ao avanço e o equilíbrio do veículo nas curvas.
O processamento computacional também contribui para simular o comportamento da suspensão, dos pneus e de outros sistemas mecânicos sob diferentes condições de utilização.
Inteligência artificial auxilia decisões durante as corridas
Além do desenvolvimento, a parceria contempla o processamento de informações durante as competições.
Os carros de Fórmula 1 utilizam sensores para acompanhar parâmetros como temperaturas, pressões, velocidade, funcionamento dos sistemas e comportamento dinâmico.
Esses dados são analisados pelos engenheiros para compreender o desempenho e avaliar possíveis ajustes.
A Intel fornece tecnologias de computação para apoiar a interpretação dessas informações, incluindo recursos de computação de borda, que permitem executar determinadas análises próximas ao local onde os dados são coletados.
Essa arquitetura pode reduzir a latência e facilitar o acesso às informações durante as atividades de pista.
A inteligência artificial também poderá contribuir para a modelagem preditiva, avaliando cenários relacionados ao comportamento dos pneus, ao ritmo de corrida e às alternativas estratégicas.
Entretanto, as decisões continuam dependendo da interpretação dos profissionais e das condições reais de cada prova.
McLaren conecta fábrica na Inglaterra aos boxes
A infraestrutura tecnológica integra o McLaren Technology Centre, em Woking, às garagens utilizadas pela equipe ao longo do calendário mundial.
Essa comunicação permite que informações captadas nos circuitos sejam utilizadas em análises realizadas por diferentes equipes de engenharia.
O sistema também favorece o desenvolvimento de gêmeos digitais, representações computacionais capazes de reproduzir aspectos do comportamento de componentes e sistemas.
Com essas ferramentas, os engenheiros podem testar diferentes configurações virtualmente, comparar resultados e orientar o desenvolvimento do carro.
A parceria busca acelerar esses processos, mas não elimina a necessidade de testes físicos, validação técnica e cumprimento dos regulamentos esportivos.
Tecnologia também será utilizada na IndyCar
A colaboração não está limitada à Fórmula 1.
A Arrow McLaren IndyCar Team também será beneficiada pelas soluções de computação e análise de dados, assim como a operação de competições virtuais da McLaren.
Segundo Zak Brown, CEO da McLaren Racing, a parceria fortalece a capacidade da organização de desenvolver soluções tecnológicas em diferentes categorias.
Para Lip-Bu Tan, CEO da Intel, Fórmula 1 e IndyCar representam ambientes especialmente exigentes para aplicações de computação de alto desempenho.
A expectativa das empresas é desenvolver soluções que contribuam para melhorar desempenho, eficiência operacional e velocidade dos processos de engenharia.
GP de São Paulo coloca tecnologia à prova em Interlagos
O Grande Prêmio de São Paulo acontece entre 6 e 8 de novembro de 2026, no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos.
O circuito exige equilíbrio entre desempenho nas curvas, eficiência aerodinâmica e velocidade nos trechos de aceleração.
Nesse cenário, o processamento de dados pode ajudar a equipe a interpretar o comportamento do carro e comparar alternativas de configuração e estratégia.
A corrida principal está programada para domingo, 8 de novembro, às 14h, no horário de Brasília.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A parceria entre Intel e McLaren demonstra como a engenharia do automobilismo moderno depende da integração entre mecânica, aerodinâmica, eletrônica e capacidade computacional.
Um carro de Fórmula 1 continua sujeito às mesmas leis físicas de qualquer automóvel. A diferença está na intensidade com que seus componentes são analisados e desenvolvidos.
A aerodinâmica determina parte importante da aderência em altas velocidades, enquanto pneus, suspensão e distribuição de forças influenciam o comportamento nas curvas.
A computação avançada permite estudar essas interações em diferentes cenários, reduzindo a dependência de experimentações exclusivamente físicas.
A inteligência artificial pode acelerar a identificação de padrões, mas não transforma previsões em resultados garantidos. Condições de pista, desgaste dos pneus, tráfego e intervenções durante a prova continuam introduzindo variáveis difíceis de antecipar.
Outro aspecto relevante é a transferência de conhecimento para a indústria automotiva. Simulações, análise preditiva e gêmeos digitais também são utilizados no desenvolvimento de veículos de produção, auxiliando estudos de eficiência, segurança e durabilidade.
O diferencial não está apenas na velocidade dos processadores, mas na capacidade de transformar informações em decisões tecnicamente fundamentadas.
Na Fórmula 1, ganhar tempo também significa processar melhor os dados disponíveis.
Para acompanhar Fórmula 1, McLaren, inteligência artificial, aerodinâmica e tecnologias utilizadas na engenharia de competição, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Maio de 2026 – Anúncio da parceria plurianual entre Intel e McLaren Racing.
- Xeon e Core Ultra – Famílias de processadores utilizadas nas atividades de computação da equipe.
- McLaren Technology Centre – Centro de desenvolvimento localizado em Woking, na Inglaterra.
- Três operações – Fórmula 1, IndyCar e F1 Sim Racing estão contempladas no acordo.
- 6 a 8 de novembro – Período do GP de São Paulo 2026.
- 14h de domingo – Horário previsto para a largada da corrida em Interlagos.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- CFD (dinâmica de fluidos computacional) – Técnica que utiliza computadores para simular o comportamento do ar ao redor do veículo e estudar sua aerodinâmica.
- Telemetria – Sistema de coleta e transmissão de informações sobre o funcionamento e o desempenho do carro.
- Computação de borda – Processamento de dados próximo ao local onde são gerados, reduzindo a necessidade de enviá-los continuamente a servidores distantes.
- Gêmeo digital – Representação virtual de um sistema ou componente utilizada para simular seu comportamento e avaliar alterações de engenharia.