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Gasolina parada no tanque pode prejudicar carros híbridos
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Gasolina parada no tanque pode prejudicar carros híbridos

Uso prolongado do modo elétrico pode acelerar o envelhecimento do combustível e exigir cuidados com a manutenção.

Por Redação Mecânica Online®
15 min

Os carros híbridos plug-in permitem percorrer dezenas de quilômetros utilizando exclusivamente energia elétrica, reduzindo a frequência de funcionamento do motor a combustão. Entretanto, essa vantagem pode trazer uma preocupação pouco conhecida: o envelhecimento da gasolina armazenada no tanque. Com o passar do tempo, o combustível sofre alterações químicas que podem comprometer suas características e contribuir para a formação de depósitos no sistema de alimentação. A presença de etanol na gasolina também exige atenção à eventual contaminação por água. Segundo a Promax Bardahl, fabricante de aditivos e lubrificantes automotivos, a prevenção envolve seguir as recomendações da montadora, evitar o armazenamento prolongado do combustível e manter o sistema de alimentação em boas condições.

A eletrificação está mudando não apenas a maneira como os automóveis são conduzidos, mas também os cuidados necessários para preservar seus componentes mecânicos.

Nos veículos híbridos plug-in, conhecidos pela sigla PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle), o motorista pode realizar grande parte dos deslocamentos diários utilizando exclusivamente o motor elétrico.

Dependendo da capacidade da bateria, da autonomia disponível e das condições de utilização, o motor a combustão pode permanecer desligado durante períodos prolongados.

Essa característica contribui para reduzir o consumo de combustível, mas também significa que a gasolina pode permanecer armazenada no tanque por muito mais tempo do que em um automóvel convencional.

O problema é que combustível automotivo não mantém suas propriedades indefinidamente.

Por que a gasolina envelhece dentro do tanque?

A gasolina é formada por uma mistura complexa de hidrocarbonetos e outros componentes.

Com o passar do tempo, essa composição pode sofrer alterações relacionadas à temperatura, à exposição ao oxigênio e às condições de armazenamento.

Um dos principais processos é a oxidação, responsável por modificar determinados compostos presentes no combustível.

Dependendo das condições, essas reações podem favorecer a formação de substâncias que prejudicam a estabilidade da gasolina e contribuem para o aparecimento de depósitos.

Também podem ocorrer alterações na proporção de componentes mais voláteis, especialmente quando existem condições que favorecem sua perda.

Nos motores modernos, essas mudanças merecem atenção porque os sistemas de alimentação trabalham com controle preciso da quantidade de combustível injetada.

Combustível degradado pode comprometer a qualidade da combustão e favorecer o acúmulo de resíduos em componentes do sistema de alimentação.

Entretanto, não existe um prazo universal para afirmar que toda gasolina ficará imprópria após determinado número de dias.

A durabilidade depende da formulação, das condições de armazenamento, da temperatura e das características do sistema de combustível.

Híbridos plug-in exigem atenção especial

Em um automóvel convencional, o motor a combustão normalmente funciona em praticamente todos os deslocamentos.

Isso provoca consumo frequente de gasolina e sua reposição durante os abastecimentos.

Nos híbridos plug-in, a situação pode ser diferente.

Um motorista que percorre trajetos curtos e recarrega a bateria diariamente pode passar longos períodos utilizando predominantemente o modo elétrico.

Consequentemente, o combustível permanece no tanque durante mais tempo.

Segundo Arley Silva, gerente de Engenharia e Sucesso do Cliente da Promax Bardahl, essa característica exige uma rotina de cuidados adequada à utilização do veículo.

O especialista recomenda atenção à qualidade do combustível e ao funcionamento periódico do motor a combustão, sempre respeitando as orientações da montadora.

A preocupação é manter o sistema preparado para funcionar corretamente quando a propulsão térmica for necessária.

Isso pode acontecer durante viagens, acelerações mais intensas ou situações em que a bateria apresenta carga reduzida.

Etanol na gasolina também merece atenção

A gasolina comercializada no Brasil contém etanol anidro em sua composição.

Essa mistura apresenta características diferentes da gasolina sem etanol, especialmente em relação à interação com a água.

O etanol possui afinidade com a umidade, característica conhecida como higroscopicidade.

Isso significa que pode incorporar água em determinadas condições.

Entretanto, é importante esclarecer que a presença de etanol não significa que ocorrerá corrosão ou separação de fases automaticamente.

O risco depende da quantidade de água presente, da temperatura e da composição do combustível.

Quando determinadas condições são ultrapassadas, pode ocorrer a chamada separação de fases.

Nesse fenômeno, forma-se uma mistura de água e etanol que pode se acumular na parte inferior do tanque, separada da fração predominantemente composta por gasolina.

Essa condição pode comprometer a alimentação e o funcionamento do motor.

A contaminação por água também pode favorecer processos corrosivos em componentes suscetíveis.

Por isso, a procedência do combustível e a integridade do sistema de armazenamento são fundamentais.

Quais problemas podem aparecer no motor?

Quando o combustível sofre degradação significativa, podem surgir alterações no funcionamento do motor a combustão.

Os sintomas variam conforme a intensidade do problema e a tecnologia do sistema de alimentação.

Entre as possíveis consequências estão:

  • Dificuldade de partida: alterações nas características do combustível podem prejudicar o funcionamento inicial do motor.
  • Funcionamento irregular: a combustão pode apresentar oscilações em determinadas condições.
  • Formação de depósitos: resíduos podem se acumular em componentes do sistema de alimentação.
  • Alterações na pulverização: depósitos nos injetores podem comprometer a distribuição adequada do combustível.
  • Corrosão: a presença de água e condições químicas desfavoráveis podem afetar materiais suscetíveis.
  • Aumento de emissões: combustão inadequada pode comprometer o desempenho ambiental do veículo.

Esses sintomas não são exclusivos de combustível envelhecido.

Problemas de ignição, sensores, alimentação e manutenção também podem provocar manifestações semelhantes.

Por isso, o diagnóstico deve ser realizado antes de atribuir qualquer falha exclusivamente à gasolina armazenada.

Sistemas de injeção direta precisam de combustível adequado

Muitos automóveis híbridos modernos utilizam motores com injeção eletrônica de combustível.

Em determinadas configurações, a injeção é realizada diretamente na câmara de combustão, sob pressões elevadas.

Essa tecnologia permite controlar a formação da mistura e melhorar o aproveitamento energético do motor.

Entretanto, depende do funcionamento adequado dos injetores e do sistema de alimentação.

A formação de depósitos pode alterar as características de pulverização do combustível, dependendo da localização e da intensidade da contaminação.

Nos sistemas de injeção direta, os componentes precisam suportar pressões elevadas e tolerâncias de fabricação reduzidas.

Por isso, a utilização de combustível de procedência confiável e o cumprimento das recomendações de manutenção são cuidados especialmente importantes.

Vale destacar que a baixa frequência de funcionamento do motor não elimina a necessidade de revisar seus componentes.

Mesmo pouco utilizado, o motor continua sujeito ao envelhecimento de fluidos, à influência da temperatura e aos intervalos de manutenção estabelecidos pela fabricante.

Aditivo específico busca proteger o combustível armazenado

Uma das alternativas apresentadas pela Promax Bardahl é o Bardahl Max Hybrid, aditivo desenvolvido para veículos híbridos movidos a gasolina, etanol ou com motorização flex.

Segundo a fabricante, o produto foi formulado para ajudar a combater a oxidação e o envelhecimento do combustível durante períodos de armazenamento.

A empresa também informa que o aditivo possui componentes destinados a contribuir para a limpeza do sistema de injeção e a proteção contra corrosão.

O objetivo é preservar as condições de funcionamento do sistema de alimentação em veículos que utilizam o motor a combustão com menor frequência.

Entretanto, o uso de aditivos deve respeitar as recomendações da montadora e não substitui combustível de qualidade nem manutenção preventiva.

Também não é possível afirmar que determinado produto recuperará completamente um combustível que já sofreu degradação avançada ou contaminação por água.

A eficácia depende da formulação, das condições do combustível e da aplicação.

Bardahl recomenda 200 ml para até 80 litros de combustível

O Max Hybrid é comercializado em embalagem de 200 mililitros.

Segundo as instruções divulgadas pela Bardahl, a dosagem recomendada é de um frasco para até 80 litros de gasolina, etanol ou suas misturas, com aplicação a cada abastecimento.

CaracterísticaBardahl Max Hybrid
AplicaçãoVeículos híbridos a gasolina, etanol ou flex
Volume da embalagem200 ml
Dosagem informadaUm frasco para até 80 litros
Frequência recomendada pela marcaA cada abastecimento
Finalidade declaradaAuxiliar na proteção contra oxidação, depósitos e corrosão

Essas informações correspondem às recomendações comerciais do fabricante.

A utilização não deve ser interpretada como obrigatória para todos os automóveis híbridos.

Antes de adicionar qualquer produto ao tanque, é importante verificar se o manual do veículo permite o uso de aditivos complementares.

Algumas fabricantes podem estabelecer restrições relacionadas à composição química ou ao emprego de produtos não homologados.

O próprio carro pode ter estratégias para renovar o combustível

Determinados híbridos plug-in possuem sistemas eletrônicos desenvolvidos para administrar a utilização do motor a combustão quando ele permanece desligado durante períodos prolongados.

Dependendo do modelo, o gerenciamento eletrônico pode solicitar ou executar o funcionamento do motor para atender a estratégias de manutenção do sistema.

Esses recursos variam conforme o fabricante e não estão presentes da mesma maneira em todos os automóveis.

Também existem veículos com sistemas de combustível projetados para reduzir a exposição do conteúdo do tanque ao ambiente externo.

Entretanto, mesmo nesses casos, o armazenamento prolongado não deve ser ignorado.

A recomendação mais importante é seguir as instruções específicas do manual do proprietário, especialmente em relação ao combustível, aos períodos de utilização e às funções automáticas de manutenção.

Não é recomendável tentar impedir o acionamento do motor quando ele ocorre por uma estratégia de proteção determinada pelo próprio veículo.

Cinco cuidados para preservar o combustível do híbrido

Algumas medidas podem ajudar o proprietário a reduzir os riscos relacionados ao armazenamento prolongado.

1. Abasteça em postos de confiança

A procedência do combustível continua sendo um dos principais fatores de prevenção.

Combustíveis contaminados ou fora das especificações podem comprometer o funcionamento do sistema, independentemente de o veículo ser híbrido ou convencional.

2. Evite armazenar gasolina por períodos excessivos

Se o automóvel utiliza quase exclusivamente o modo elétrico, vale acompanhar há quanto tempo o combustível permanece no tanque.

Não existe um intervalo único aplicável a todos os modelos. A referência deve ser o manual do proprietário.

3. Respeite as estratégias de funcionamento do motor

O motor a combustão pode ser acionado automaticamente em determinadas condições.

Essas estratégias podem atender a necessidades térmicas, energéticas ou de manutenção, conforme o projeto.

4. Mantenha a manutenção em dia

Óleo do motor, filtros, velas, sistema de arrefecimento e demais componentes precisam seguir os intervalos recomendados.

A baixa quilometragem percorrida com o motor a combustão não significa ausência de necessidade de manutenção.

5. Consulte a montadora antes de utilizar aditivos

Produtos destinados à estabilização do combustível podem ser uma alternativa em determinadas condições, mas devem ser compatíveis com o veículo.

A orientação do fabricante do automóvel deve prevalecer.

Híbridos convencionais também podem enfrentar o problema?

A preocupação é mais evidente nos híbridos plug-in devido à possibilidade de realizar deslocamentos prolongados sem acionar o motor a combustão.

Entretanto, outros veículos híbridos também podem apresentar situações de armazenamento prolongado de combustível.

Nos híbridos convencionais, conhecidos como HEV, o motor a combustão costuma participar com maior frequência da propulsão e da geração de energia.

Já os sistemas híbridos-leves, chamados de MHEV, normalmente mantêm o motor térmico como principal responsável pelo deslocamento.

Por isso, a renovação do combustível tende a ocorrer com maior frequência nessas arquiteturas, dependendo da utilização.

A comparação pode ser resumida da seguinte maneira:

TecnologiaUtilização do motor a combustão
MHEV — híbrido-leveMotor térmico participa da maior parte da condução
HEV — híbrido convencionalMotor térmico funciona conforme a demanda e a estratégia do sistema
PHEV — híbrido plug-inPode realizar trajetos prolongados sem acionamento do motor térmico
REEV — elétrico com extensor de autonomiaMotor térmico pode permanecer desligado até que a geração complementar seja necessária

Independentemente da arquitetura, o cuidado com o combustível deve considerar as características de cada automóvel.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A popularização dos híbridos plug-in está criando situações de utilização que não eram tão frequentes nos automóveis convencionais.

Um motorista pode percorrer centenas de quilômetros durante várias semanas utilizando energia elétrica e praticamente não consumir a gasolina armazenada.

Essa condição muda a relação entre quilometragem, tempo de utilização e manutenção do motor a combustão.

A gasolina não é um produto quimicamente estável por tempo indefinido, e suas características podem se modificar conforme o armazenamento.

O processo de oxidação merece atenção porque pode favorecer a formação de compostos que afetam a qualidade do combustível.

Já a presença de etanol exige cuidado especial com a eventual contaminação por água. Entretanto, é importante não confundir a capacidade do etanol de interagir com a umidade com a ocorrência automática de separação de fases.

Outro aspecto envolve o sistema de injeção.

Mesmo quando o motor funciona poucas vezes, os injetores e demais componentes precisam estar preparados para operar imediatamente quando solicitados.

Por isso, a manutenção preventiva continua sendo indispensável.

Os aditivos estabilizadores podem desempenhar uma função complementar, mas não substituem o abastecimento com combustível adequado nem garantem a recuperação de gasolina já deteriorada.

A utilização deve respeitar as recomendações do fabricante do veículo, especialmente porque existem diferenças entre sistemas de alimentação, materiais empregados e estratégias eletrônicas de gerenciamento.

Também não é correto estabelecer um prazo universal de validade para a gasolina sem considerar a composição do combustível e as condições de armazenamento.

Em alguns veículos, o próprio sistema eletrônico administra períodos de funcionamento do motor a combustão para atender às necessidades do conjunto.

A principal orientação é compreender que um híbrido plug-in continua sendo um automóvel com motor térmico e sistema de alimentação, mesmo quando grande parte dos deslocamentos acontece exclusivamente com eletricidade.

A eletrificação reduz a frequência de abastecimento, mas não elimina os cuidados necessários para preservar os componentes mecânicos.

Para acompanhar carros híbridos, manutenção preventiva, combustíveis, motores e tecnologias automotivas, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • PHEV – Híbrido plug-in capaz de realizar trajetos utilizando exclusivamente energia elétrica.
  • Gasolina envelhecida – Combustível que sofreu alterações químicas durante o armazenamento.
  • Oxidação – Processo que pode favorecer a degradação de determinados componentes da gasolina.
  • Etanol – Componente da gasolina brasileira que apresenta afinidade com a água.
  • Separação de fases – Fenômeno em que uma mistura de água e etanol pode se separar da fração predominantemente composta por gasolina.
  • Bardahl Max Hybrid – Aditivo desenvolvido para auxiliar na preservação do combustível de veículos híbridos.
  • 200 ml – Quantidade do produto recomendada pela Bardahl para até 80 litros de combustível.
  • Manual do proprietário – Principal referência para cuidados e procedimentos específicos de manutenção.

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  • Oxidação do combustível – Reações químicas que podem alterar componentes da gasolina durante o armazenamento.
  • Higroscopicidade – Capacidade de uma substância de absorver umidade do ambiente.
  • Injeção direta – Sistema que introduz combustível diretamente na câmara de combustão, sob pressão controlada.
  • Estabilizador de combustível – Aditivo desenvolvido para reduzir determinados processos de degradação durante o armazenamento.
  • PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle) – Veículo que combina motor a combustão, propulsão elétrica e bateria recarregável em uma fonte externa.
Gasolina parada no tanque pode prejudicar carros híbridos